João de Orléans e Bragança

SIWA – Oásis de Amon

 

O Egito sempre foi, para mim, mais do que as lições que eu aprendia e me fascinavam nas aulas do colégio. Minha mãe era egípcia e suas histórias já me faziam querer conhecer o país das pirâmides, dos desertos e dos misteriosos personagens envoltos em véus e túnicas.

Nascida e criada no rito muçulmano, minha mãe, princesa egípcia, quando conheceu o jovem tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, meu pai, Dom João, católico, príncipe da Família Real brasileira, teve que tomar difíceis decisões em sua vida. Os dois resolveram se casar em seis meses. Naquela época (década de 40), para um muçulmano abrir mão de sua religião e converter-se ao catolicismo, era um sacrilégio ainda maior do que hoje. Pois contra tudo e contra todos, inclusive toda sua família no Egito, ela decidiu se casar. Minha mãe nem meu pai estão mais aqui. Mas quis mostrar este país para minha família. Ainda tenho outra ligação com o Egito, que é Dom Pedro II, meu trisavô. Em sua “Viagem à Terra Santa”, quando passou por vários países, sempre interessado na diversidade cultural e religiosa, o Imperador esteve no Egito em 1870. Talvez seja uma herança de família essa minha vontade tão grande em aprender.

Saindo do Cairo, dirigindo 800 km em um dia se chega a um dos maiores oásis do Norte da África, já quase na fronteira com a Líbia: o Oásis de Siwa.

No meu imaginário, um oásis é um pequeno lago, cercado por meia dúzia de palmeiras. Pois o Oásis de Siwa mede umas 15 vezes a lagoa carioca Rodrigo de Freitas e tem milhares – sim, milhares – de tamareiras, famosas pela doçura de suas frutas. É um dos lugares mais mágicos e fascinantes em que já estive.

Há mais ou menos 2.300 anos, Alexandre o Grande, ainda com seus 20 e poucos anos (época em que se vivia menos e tentava-se fazer mais e mais cedo!), saiu da cidade fundada por ele, Alexandria, e percorreu em 20 dias os mesmos 800 km que eu fiz em apenas algumas horas, por uma única razão: consultar o oráculo de Amon.

Em Siwa, no alto de uma pequena colina, no meio do nada, com centenas de quilômetros de areia ao seu redor, até hoje se encontram os restos do famoso oráculo. Foi ali que seus sacerdotes aconselharam Alexandre e o sagraram faraó do Egito. Só, pequeno, silencioso, entregue apenas ao barulho da areia e do vento, o oráculo se mantém! E que lugar forte, com sua gente e paisagem que pouco mudaram nestes dois milênios…

João de Orleans e Bragança

 

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