Pedro de Moraes

19 IMAGENS
A Pequena Galeria 18 apresenta a mostra “19 imagens – Pedro de Moraes”, em comemoração aos 50 anos de trajetória do fotógrafo carioca, nascido em 1942. Conhecido internacionalmente por seu trabalho engajado, de denúncia social e crítica política – é famosa sua série de 1968 – Pedro de Moraes mostra um insuspeitado universo feminino, igualmente denso mas coberto de poesia e lirismo. São 19 fotografias que têm a mulher como tema.
“Foi o Mario Cohen [dono da Pequena Galeria 18] quem descobriu isso. Eu nem tinha percebido esse recorte no meu trabalho”, se espanta Pedro de Moraes. “A fotografia do Pedro captura uma despretensão difícil de capturar, e encontra a elegância difícil de encontrar”, observa Mario. Ele conta que sua visão do trabalho do Pedro também era a que todos conhecem, seu engajamento político e social. “Mas por trás disso há um homem”, diz. “É um lado mais leve… É mal de família, está no DNA”, brinca Pedro, referindo-se a seu pai, o poeta Vinicius de Moraes [1913-1980]. Ele ressalta que o assunto de seu interesse é o ser humano. “É isso que me importa”. Em relação às mulheres, ele diz que “80% de tudo o que aprendeu foi com elas”.
As fotografias, todas feitas analogicamente em uma câmera Leica ou Rolleiflex, cobrem um período que vai do início dos anos 1960 aos tempos atuais. Morador do Sul da Bahia desde o início dos anos 1980, Pedro de Moraes mostra em seu trabalho flagrantes de brincadeiras de roda, da moça com lata d’água na cabeça, a cumplicidade de casais apaixonados. Há também fotos feitas no Rio, como a que mostra a jovem Maria Bethânia, em um perfil de camafeu, e Isa Hertz, na praia do Diabo, em Ipanema, com um ousado biquíni para o início dos anos 1960.
Admirador do lendário correspondente de guerra, o fotógrafo húngaro Robert Capa [1913-1954], que afirmava: “Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto”, Pedro de Moraes busca a espontaneidade em seu trabalho. Para isso, muitas vezes camufla sua câmera, para não ser percebido pelo sujeito fotografado. Isso confere ao espectador a sensação de cumplicidade com a cena, ao mesmo tempo em que permanece algo oculto, misterioso, para além do que está ali.

 

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