Pierre Verger

O ALUMBRAMENTO DE UM ARTISTA
Internacionalmente notabilizado como antropólogo, etnólogo, viajante, repórter e estudioso das religiões de origem africana, Pierre Verger utilizou seu trabalho como fotógrafo principalmente como um registro documental de suas outras atividades. O impacto desses registros, entretanto, acabou por ofuscar o lado puramente artístico de sua fotografia. A exposição ‘Pierre Verger, 66 imagens’, na Pequena Galeria 18, no Rio, se propõe a corrigir essa falha e revelar o olhar mais poético da obra do francês.
A mostra vai tratar de um momento raro na obra de qualquer artista. “A alegria da ignorância que descobre” é o verso de Oswald de Andrade que talvez melhor retrate esse momento, o do alumbramento de um artista. O momento em que ele descobre aquilo que às vezes nem mesmo sabia que procurava. O momento da iluminação, que define uma obra, uma vida. O alumbramento do fotógrafo e depois etnógrafo Pierre Verger se deu em 1946 quando, depois de ter viajado por todo o mundo, ele desembarcou em Salvador, Bahia.
O seu olhar, desconhecedor daquele pedaço de Africa no Brasil (ou de Brasil na Africa), se encheu de alegria. E ele pôs-se a fotografar, nesse início só pela beleza e pela intuição da descoberta de um mundo novo, é esta fase da descoberta o tema da exposição “Pierre Verger”. São 66 fotografias em preto-e-branco. Para chegar às 66 fotos, Mario Cohen curador da mostra trabalhou com cerca de 4 mil imagens, dos 62 mil negativos deixados pelo fotógrafo para a Fundação Pierre Verger, criada por ele e que detém todos os direitos de sua obra.
Como diz Cohen, o foco da exposição é a fase mais “poética” de Verger. Poética aí entre aspas justamente porque nunca deixou de haver poesia na sua obra, nem na anterior nem na posterior quando, quase cientificamente, ele começou a investigar a cultura afro-brasileira na Bahia, como tampouco faltava rigor nas fantásticas primeiras fotos no Brasil. –Hugo Sukman

 

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