Walter Firmo

Um passeio pela nobreza

Aos 16 anos quando me iniciei como fotógrafo, Walter Firmo já freqüentava meu Olimpo de adolescente ávido por deuses. Quis o destino que por um longo tempo eu o perdesse de vista, assim como as suas fotografias. O reencontro recente confirmaria o que de alguma forma se prefigurara naquele tempo:
ele resistiria. E resistiu.
Sua sinceridade e imenso humanismo foram a via da resistência e o antídoto perfeito à contaminação e intoxicação de imagens de agora.
Suas fotografias não falam de fotografias, não têm efeitos mirabolantes nem filigranas de estilo; vão direto ao assunto, são um libelo contra a pressa e a vulgaridade. Guiados por seu olhar singular e delicado, revisitamos um Brasil mítico que parece não existir mais; suas imagens nos convidam a passear pela nobreza e elegância da raça negra, onde Firmo desfila seu reflexo sem cair no folclorismo exótico e pieguice tão comuns a essas incursões. Li em algum lugar, ele dizendo que fotografia é uma forma de educar; para ele talvez seja isso, mas para nós, seu público, suas fotos são muito mais.
Os retratos de Clementina de Jesus, Cartola e Dona Zica, Dona Ivone Lara e a magistral foto de Pixinguinha são comoventes e desde já clássicos, que o inscrevem definitivamente no panteão da fotografia brasileira. –Bob Wolfenson

 

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