Mais uma perda e pra mim, especialmente sentida, pois conheci Paulo Mendes da Rocha. Quando ainda na Globo estávamos concebendo o Museu da Língua Portuguesa, que seria implantado na Estação da Luz em São Paulo, estivemos juntos diversas vezes…como quando estávamos no escritório do Pedro (filho dele), e ele soube do prêmio Pritzker…

Com o projeto do Museu em mãos, fomos juntos à Brasília dar conhecimento ao Presidente da República (Fernando Henrique Cardoso) e seu ministro da Cultura (Francisco Weffort)…bons tempos!!! Chegamos antes e aproveitamos para dar um passeio…. que privilégio, que prazer ouvir Brasília pelos olhos dele! Outro encontro foi quando fizemos a exposição de Cristiano Mascaro, “A Estratégia do olhar – detalhando a arquitetura”, em novembro de 2015, e pedimos para ele fazer o texto de apresentação…generosamente nos fez este lindo texto…na abertura da exposição ele compareceu e nos encontramos novamente. Não chegamos a ser amigos, mas me lembro com carinho quando na lanchonete do aeroporto de Brasília, e ele me convenceu de que o melhor pão de queijo vinha do Espírito Santo…

Talvez seja possível entender sua obra, mas conheci também o Paulo e a impressão que me ficou foi de ter conhecido uma pessoa que, como sua obra, era íntegro, generoso e HONESTO.

Cristiano Mascaro - Capela de São Pedro Apóstolo
Cristiano Mascaro – Capela de São Pedro Apóstolo

 

Texto da Exposição Cristiano Mascaro

Querido amigo e colega arquiteto Cristiano Mascaro, é enorme o prazer e orgulho participar deste momento onde, mais uma vez, se mostra seu trabalho indispensável ao conhecimento da arquitetura nestes chamados tempos modernos com o uso da máquina. A imagem produzida, divulgada, do desenho da arquitetura.
A fotografia é mágica conquista da surpresa que nós podemos impor aos fenômenos da natureza, da luz, do tempo (aquele instante), da química…da escritura e do papel impresso, imagens.
Uma invenção extraordinária que consegue frequentar – na comunicação, no discurso – todas as aventuras experimentadas por nós no campo das imagens. Onírico, lírico, realista, surreal, hiper-realismo, cubismo…e o imprevisível também.
Eu mesmo fui surpreendido, nas fotos do Cristiano Mascaro, pelos aspectos belíssimos de coisas que fiz e que ainda não tinha visto. Na Capela de São Pedro, por exemplo, cheguei a achar o projeto muito interessante!
Quando você vê, lembra, por exemplo, de arquiteturas que estão enquanto parte integrante da pintura, do desenho, há tanto tempo quanto possa ser o que se vê em Altamira, Lascaux. O que se vê num afresco de Giotto “a renúncia dos bens paternos, da vida de São Francisco” é o que faz ver as obras desta exposição.
É melhor não tentar adjetivar e só dizer da grande emoção, convocação.
Estas imagens estão aí para se entrar lá dentro. Para então de fato ver.

Paulo Mendes da Rocha

10 de novembro de 2015